05/04/19

A importância da consulta para os tratamentos estéticos

Nesses quase 10 anos dando cursos de aperfeiçoamento em estética avançada, percebi que existe um detalhe que faz toda a diferença no resultado e satisfação dos clientes ainda é subestimado pelos colegas: a consulta.

Infelizmente, tem muita gente que considera a consulta uma perda de tempo e parte logo para o procedimento.

Neste artigo, vou explicar por que essa visão é equivocada e o quanto ela compromete a qualidade do trabalho do profissional.

 

Consulta x Avaliação

Para começar, precisamos deixar claro uma coisa muito importante: consulta é diferente de avaliação.

Aquela olhada rapidinha não pode nunca ser chamada de consulta. Consulta é o momento em que o profissional volta todas as suas atenções para o paciente.

Ele está diante de um organismo único, com uma série de particularidades que o fazem diferente de qualquer outra pessoa na face da terra.

A queixa que o paciente apresenta depende de vários fatores, que podem ser genéticos, hormonais, estar relacionados ao estilo de vida e uma série de outras condições que fazem com que determinados tratamentos sejam mais ou menos indicados para ele.

O profissional que trabalha padronizando procedimentos já começa errado. As chances de insatisfação ou de complicações já são significativamente maiores e isso nem necessariamente tem a ver com o procedimento escolhido.  

 

Mas, então, o que é a consulta?  

É na consulta que é feito o diagnóstico das necessidades do paciente. Nela, o profissional pode observar com toda calma do mundo as manchas de pele, se elas são provocadas por ação hormonal, se os poros estão dilatados, se há flacidez, excesso de gordura, excesso de pele, olheira, sulcos, rugas estáticas e dinâmicas, e uma série de outros fatores que podem determinar o tipo de tratamento a ser indicado.

É na consulta que se define, principalmente, o que não fazer. Saber contraindicar procedimentos pode ser até mais importante do que indicar.

O profissional tem que estar seguro o suficiente para sugerir qualquer técnica e saber, dentro do seu repertório de conhecimento, com as ferramentas de que dispõe, se ele realmente é capaz de alcançar o resultado desejado pelo paciente.

 

O paciente nem sempre sabe o que quer

Esta é um premissa fundamental: o paciente pode chegar ao consultório querendo mundos e fundos, mas somente o profissional sabe o que é mais recomendado para ele.

Não é porque a atriz da novela fez o último procedimento da moda que ele é indicado para quem está do outro lado da televisão.

Quem domina as técnicas, as indicações e saberá evitar efeitos adversos é o profissional. Só ele é capaz de dizer o que funciona ou não para cada pessoa.

Essa falsa sensação de autonomia também pode levar a uma série de gastos desnecessários. Às vezes, o paciente vai à farmácia e sai comprando todo tipo de dermocosmético. Ele vai usando indiscriminadamente, passando um sobre o outro sem critério, e, é claro, não vai ter resultado.

Vai acabar jogando dinheiro fora e abandonando os produtos, que muitas vezes são até bons. É na consulta que o profissional pode indicar os produtos adequados, buscando dar uso inclusive para os que o paciente já tem em casa, evitando gastos desnecessários.

Outras vezes, será preciso indicar o abandono real do produto, porque ele pode estar mais prejudicando do que ajudando naquela situação que é motivo de queixa.

Ou seja, é na consulta que o profissional vai ensinar o paciente a cuidar da própria pele, dando sequência, em casa, ao tratamento iniciado no consultório. Os resultados, claro, são bem melhores assim.

 

A tecnologia como aliada

Hoje em dia, existem vários tipos de analisadores digitais de pele que aumentam consideravelmente a assertividade da avaliação. Eles geram gráficos qualitativos e quantitativos, proporcionando mais precisão à decisão do profissional.

É o analisador de pele que diz como está a estrutura óssea da pessoa, apresenta a média de idade, informa se a pigmentação está mais superficial, epitelial ou dérmica, sinaliza as áreas de luz e sombra, identifica a flacidez, indica se a ruga é compatível com a idade, como está a hidratação da pele, entre outros.

Desta forma, o planejamento do tratamento se torna ainda mais eficiente e os resultados, melhores ainda.

Ainda assim, vale lembrar que a tecnologia veio para somar, e não para substituir o olhar do profissional. Os equipamentos fornecem os dados, a análise fica por conta do profissional.

 

A consulta deve ocorrer várias vezes ao ano

A gente nem faz ideia do quanto as estações do ano, no Brasil, interferem na qualidade da pele. Como são estações bem definidas, com características específicas, elas provocam mudanças que impactam diretamente na nossa saúde.

Tem a oscilação da temperatura, da umidade relativa do ar, do vento… também tem a ação hormonal, o sistema imunológico, o próprio envelhecimento natural da pele, tudo isso acontece em ritmo acelerado e faz com que o cenário de um ano atrás seja completamente diferente do ano seguinte.

Quem vai ao consultório de vez em quando não consegue alcançar bons resultados, tampouco duradouros.

O paciente que cuida da própria imagem não vai ao salão de beleza pelo menos duas vezes ao mês? Não pode ser diferente com a estética avançada.

É preciso garantir a manutenção aos resultados alcançados pelos tratamentos

 

Consulta deve ser cobrada, sim

É o nosso tempo e conhecimento que estão sendo colocados à serviço do paciente. Nós estudamos muito no passado e continuamos estudando constantemente para levar as melhores técnicas a ele.

É justo que esse serviço seja remunerado. Afinal, você estará dedicando uma parte importante do seu tempo para analisar, individualmente, as necessidades daquele paciente.

A consulta é um serviço tão importante quanto o tratamento, propriamente dito. É a porta de entrada, a que vai definir o sucesso do tratamento ao final de algum tempo.

Cobrar pela consulta não é só uma maneira de buscar a remuneração justa pelo seu conhecimento aplicado, mas também é importante para o paciente valorizar aquele momento e perceber que se trata de um investimento em si próprio.

Portanto, calcule quanto custa a sua hora de trabalho e repasse esse valor ao paciente, acrescentando os custos de funcionamento do espaço em que você atende.

Quanto mais você se valorizar, mais as outras pessoas também te valorizarão.

Por fim, procure sempre ouvir e entender o seu paciente. Ele te procurou por um motivo específico. Dentre tantos outros profissionais disponíveis, ele escolheu você. Faça isso valer a pena!