16/10/18

Controlando e tratando o melasma

O melasma é uma queixa recorrente na nossa clínica. Recebemos pacientes em várias situações: muitos já tentaram combater as manchas por conta própria, piorando o problema; outros já buscaram tratamentos especializados, porém, sem a indicação adequada; tem também, para a nossa alegria, os que nos procuram desde cedo e encaram o tratamento de maneira regular e recorrente.

Em todos os casos, fazemos o acolhimento de acordo com a necessidade de cada pele, a começar por uma mudança na maneira de lidar com o problema. Afinal, o que determina o sucesso do tratamento é a conscientização sobre o que desencadeia o melasma e a mudança de hábitos, fazendo com que as manchas fiquem sob controle.

Neste artigo, vamos esclarecer sobre o que causa o melasma, seu mecanismo de ação e as formas disponíveis para controlá-lo.

O que é

O melasma é caracterizado como um transtorno dermatológico adquirido. Ou seja, aparece com o passar do tempo. São manchas causadas pela produção excessiva de melanina, proteína que dar cor à pele e a protege da exposição excessiva aos raios ultravioleta. Essas manchas acometem, principalmente, as maçãs do rosto, testa, lábio superior e queixo, mas também podem surgir no colo, pescoço e braços. É uma condição estética e não causa nenhum dano à saúde.

O que desencadeia

Um dos principais causadores do melasma é a exposição excessiva e inadequada ao sol. Mas, outras luzes artificiais, incluindo as de celular e computador, também podem estimular a atividade dos melanócitos – células especializadas na produção de melanina. É por isso que o melasma aparece nas regiões mais expostas do corpo.

Quem está mais predisposto a ter melasma

Normalmente, mulheres em idade reprodutiva pela presença do fator hormonal. Fatores genéticos também influenciam o surgimento das manchas, além da ação de hormônios femininos presentes em anticoncepcionais ou na terapia de reposição hormonal. Grávidas e pessoas com disfunção da tereoide também costumam ter uma produção exagerada de melanócitos.  

Melasma não tem cura, mas tem controle

Por ser uma condição adquirida, de caráter crônico, o combate ao melasma exige controle permanente da exposição ao sol e à luz. Uma vez instaladas, as manchas não podem ser definitivamente removidas, apenas tratadas. Existem vários tratamentos que despigmentam a pele com eficácia. Porém, apenas poucos minutos de exposição indevida são suficientes para que as manchas não só reapareçam, mas fiquem ainda mais fortes.  

O tratamento no consultório

Os cuidados variam de acordo com o tipo de pele e de lesão. Os mais indicados envolvem o uso de despigmentantes sem ácido, que não causam novos danos. Estes, inclusive, são tão seguros que podem ser usados em gestantes e mulheres que estão amamentando. Em alguns casos, há indicação de peelings químicos superficiais, que promovem a esfoliação cutânea, eliminando parte da melanina depositada nas camadas superiores da pele e facilitando a penetração de cosméticos tópicos. Entretanto, esses procedimentos devem ser feitos com critério, porque a agressão à pele levar ao chamado efeito rebote. Ou seja, a pele pode acabar produzindo mais melanina para se defender dessas agressões externas.

O tratamento fora do consultório

Essa é a parte que exige maior atenção do paciente. Pouco adianta o investimento em procedimento estético se os cuidados com a pele não forem incorporados à rotina diária. O protetor solar deve ser usado todos os dias nas áreas expostas e reaplicado de acordo com as orientações do fabricante. Além disso, também é muito importante manter a pele limpa e hidratada. A melanina tem o papel de proteger a pele. Logo, se a pele está tratada, não precisa produzir melanina em excesso. Se não há inflamação ou atrito, se a pele está bem nutrida e equilibrada, o melasma provavelmente estará sob controle. Mas, se as causas forem intrínsecas, deve-se, primeiro, trata-las antes de se agir contra as manchas da pele.

O que não fazer

O paciente não deve fazer nada que agrida ainda mais a pele. Nada de espremer espinhas e cravos, expor-se ao sol e à luz sem proteção, fazer procedimentos estéticos que deixem a pele avermelhada e inflamada, ou usar produtos que inicialmente clareiam a pele, mas depois aceleram o efeito rebote. O importante é procurar um profissional capacitado, de confiança, e seguir a linha de tratamento recomendada por ele.

E cuidado com os tratamentos milagrosos anunciados na internet e nas redes sociais. Somos únicos e não é porque uma técnica deu certo em outra pessoa, ela dará certo conosco. Não abra mão de um atendimento especializado, com profissional devidamente preparado para lidar com a sua saúde, que usem técnicas e produtos seguros para você.

E, claro, com o melasma, como tudo na vida, a prevenção vai ser sempre o melhor remédio!